Desde o início da carreira,
Veloso sempre demonstrou uma posição política contestadora, sendo até
confundido como um militante de esquerda, ganhando por isso a inimizade do
regime militar instituído no Brasil em 1964 e cujos governos perduraram até
1985. Por esse motivo, as canções foram frequentemente censuradas neste
período, e algumas até banidas. Em 27 de dezembro de 1968, Veloso e o parceiro
Gilberto Gil foram presos, acusados de terem desrespeitado o hino nacional e a
bandeira brasileira. Foram levados para o quartel do Exército de Marechal
Deodoro, no Rio, e tiveram suas cabeças raspadas. Ambos foram soltos em 19 de
fevereiro de 1969, quarta-feira de cinzas, e seguiram para Salvador, onde tiveram de se manter em
regime de confinamento, sem aparecer nem dar declarações em público. Em julho
de 1969, após dois shows de despedida no Teatro Castro Alves, nos dias 20 e 21, Caetano
e Gil partiram com suas mulheres, respectivamente as irmãs Dedé e Sandra
Gadelha, para o exílio na Inglaterra. O espetáculo, precariamente gravado, se
transformou no disco "Barra 69", de três anos mais tarde. Antes de
partir para o exílio, em abril e maio de 1969, Caetano gravou as bases de voz e
violão do próximo disco, "Caetano Veloso", que foram mandadas para
São Paulo, onde o maestro Rogério Duprat faria os
arranjos e dirigiria as gravações do disco, lançado em agosto - um dos únicos
que não traz uma foto sua na capa. No repertório, destaque para as canções
"Atrás do trio elétrico" (lançada em novembro em compacto simples com
"Torno a repetir"), "Irene" feita na cadeia em homenagem à
irmã, o grande sucesso "Marinheiro só", e regravações de
"Carolina", de Chico Buarque (regravada
muitos anos depois no CD Prenda
minha) e o tango argentino "Cambalache". A canção
"Não identificado", desse mesmo disco, foi lançada em novembro em
compacto simples, juntamente com "Charles anjo 45", de Jorge Ben, em
dueto com o próprio. Além disso, também trabalhou como produtor musical, com
João Gilberto ("João voz e violão"), Jorge Mautner ("Antimaldito"), Gal Costa
("Cantar", cujo espetáculo originado deste também foi dirigido por
ele) e a irmã Maria Bethânia ("Drama - Anjo Exterminado", com
faixa-título da autoria), caracterizando-se também por numerosas canções
gravadas por outros intérpretes.
“Que importa o areal, a morte, a desventura,
se com Deus
me guardeiÉ o que me sonhei, que eterno dura
É esse que regressarei.” – É proibido proibir (Caetano Veloso)